A comunicação e o consumo no século XXI

A comunicação e o consumo no século XXI

A comunicação na Era do 2.0

O fim do século XX trouxe o maior avanço para a comunicação desde que Gutemberg juntou plaquinhas de metal para acelerar a produção de livros e, com isso, a disseminação da informação. Essa expansão da informação foi a proposta inicial de Gutemberg? Provavelmente, não.

Mas, do mesmo modo, a revolução comunicacional deste século não foi a intenção inicial dos criadores da extinta ARPANET (a mãe da internet). Essa revolução (que possui sua própria convergência de mídias) foi um processo da vontade do público, do inconsciente coletivo de todos nós, de se comunicar melhor, mais rápido e mais livremente.

Convergência, aliás, já pregada por Henry Jenkins em seu “Cultura da Convergência”, de 2008, que trata, indiretamente, do poder das massas na junção e interação das mídias e seus meios.

Está acontecendo, diante dos nossos olhos, uma revolução do modo como consumimos e produzimos informação. A prensa de tipos móveis se reinventou na versão 2.0.

comunicação 2.0

A comunicação nas mãos da massa

Essa revolução permitiu algo inédito: o fim da cultura de massa – pelo menos como a conhecemos. Como assim? Bom, para responder isso, precisamos entender que produzir para a massa e ditar o que essa massa deseja é muito mais fácil. Mas isso não duraria muito com as revoluções midiáticas e comunicacionais que ocorreram.

No século passado, o consumo de massa era bem diferente do consumo desse século, pois ainda existia a ideia da cultura de massa: existia o cantor que o mundo inteiro amava; o livro que todos os públicos liam; o filme que atingia toda audiência cinéfila; o canal que chegava a todos os olhos. Isso era a cultura de massa em ação: uma mensagem única para muitos receptores consumirem, todos do mesmo jeito.

Agora, no século XXI, seguimos o conceito de cauda longa, firmado por Chris Anderson no início dos anos 2000 – um reflexo do que se via no fim dos anos 1990. Existem nichos que consomem de modos independentes e distintos, com produtos específicos, direcionados apenas para eles e seus mercados exclusivos.

Com essa fragmentação no controle do grande mercado e o avanço mundial da internet (que, por nascença e natureza, prega a liberdade e a descentralização), foi um pulo para que o poder da informação chegasse nas mãos dos consumidores.

Criou-se, assim, o termo bubble up, onde o conteúdo da informação segue o caminho inverso: os consumidores se tornaram os criadores desse conteúdo. O poder da informação nas mãos da massa veio para revolucionar o mundo e a comunicação como os conhecemos.

comunicação e criação de conteúdo

Admirável Mundo Novo

O que se torna realidade com a inversão desse processo de criação da informação? Algo revolucionário! Algo que não se via no mundo há, pelo menos, 200 anos, com o fim da Monarquia na Europa (de novo, como ela era conhecida até então). A descentralização do poder das mãos do emissor para as mãos do receptor.

Pela primeira vez a grande massa cria seu próprio conteúdo e pode passá-lo para outros consumidores, esses também interessados no mesmo tipo de conteúdo e, graças ao fenômeno da cauda longa, direcionados para o público certo.

O que os deuses do marketing podem aprender com isso? Em primeiro lugar, cabe dizer que eles já aprenderam muito. Eles notaram esse movimento muito antes que nós, mortais, pudéssemos notá-los como recorrente e constante nas nossas realidades.

Em segundo lugar, o marketing percebeu, mais forte do que nunca, que as vozes dos consumidores ditam como o consumo ocorrerá. Não mais se produz para uma massa, mas para públicos específicos. E a comunicação também deve ser tão específica quanto.

O marketing deve ficar atento às redes sociais, ao que se conversa ali dentro, através do que está correndo na boca (e dedos) do povo. E, com o poder na mão da massa, ficou mais difícil para um emissor grande ditar o que se consome nessa massa.

O resultado? Influenciadores. Sim, eles mesmos, os famosos youtubers, blogueiros, instagramers. Eles são alguns dos novos ditadores do consumo, saídos do meio da massa, comunicando para a massa. E, com certeza, o marketing notou isso e já se adiantou muito antes que nós percebêssemos, de novo.

A Era da comunicação 2.0 veio para reestruturar tudo, de verdade. Desde como produzimos informação (e a consumimos), até o nosso consumo em si, propriamente dito.

É melhor não se atrasar para entrar nessa nova Era da comunicação e consumo. Ela já está começando a entrar para História e a revolução que vem a seguir, bom, isso é para outra hora.

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